RESUMO
A valorização de subprodutos de origem animal tem se consolidado como estratégia sustentável, com potencial para reduzir resíduos e agregar valor às cadeias produtivas aquícola e cunícola. Nesse sentido, o aproveitamento de peles para produção de couro representa alternativa tecnicamente viável e ambientalmente relevante. O objetivo com o presente estudo foi avaliar as propriedades físico-mecânicas de couros de tilápia (Oreochromis niloticus) e coelho (Oryctolagus cuniculus) submetidos ao curtimento com tanino vegetal. Foram utilizadas 60 peles de tilápia e peles de coelhos da raça Nova Zelândia Branco, processadas segundo metodologia de curtimento vegetal. Após o processamento, foram realizados ensaios de tração, alongamento e rasgamento progressivo, conforme normas da ABNT. Os resultados indicam que não houve diferença significativa entre as espécies para espessura, deformação, alongamento, resistência específica à tração e parâmetros de rasgamento progressivo (P > 0,05). No entanto, a força máxima foi superior no couro de coelho (P < 0,05), indicando maior resistência à ruptura. Dessa forma, observa-se que, apesar das diferenças estruturais entre peles de peixes e mamíferos, o curtimento vegetal foi capaz de promover desempenho mecânico semelhante entre os materiais avaliados. Esse resultado sugere que o uso de taninos vegetais pode uniformizar as propriedades físico-mecânicas dos couros, ampliando seu potencial de aplicação em diferentes segmentos industriais, com enfoque em sustentabilidade.